
Os protestos estudantis continuam na França, mesmo após o governo anunciar a contratação de 3 mil professores substitutos para escolas com maior necessidade de profissionais. As manifestações, iniciadas em setembro, reivindicam melhores condições de ensino, mais investimentos na educação pública e medidas para reduzir a falta de docentes.
Na quinta-feira (8), cerca de 71,5 mil pessoas participaram de manifestações em diferentes cidades francesas, segundo o Ministério do Interior. Desse total, aproximadamente 24,5 mil estavam em Paris. Os atos reuniram estudantes do ensino médio e universitários, além de representantes de sindicatos e trabalhadores da educação.
Entre as principais reclamações estão salas de aula superlotadas, prédios deteriorados, falta de equipamentos e aulas prejudicadas pela ausência de professores. Os estudantes também criticam as condições de acesso ao ensino superior.
Governo anuncia reforço no quadro de professores
O ministro da Educação, Édouard Geffray, anunciou que 3 mil professores substitutos serão encaminhados às escolas mais afetadas pela falta de profissionais. A distribuição começou a ser organizada para atender instituições consideradas prioritárias.
O governo também sinalizou medidas para ampliar a participação dos estudantes nas decisões educacionais e informou que pretende discutir mudanças relacionadas ao financiamento do setor.
Apesar dos anúncios, representantes estudantis afirmam que as propostas ainda não atendem a todas as reivindicações. Por isso, bloqueios e mobilizações continuaram em algumas instituições na sexta-feira (9).
Manifestações envolvem milhares de estudantes
O movimento ganhou força ao longo das últimas semanas e se espalhou por diferentes regiões do país. Além das reivindicações por melhores condições de ensino, parte dos manifestantes denuncia a atuação policial durante os atos.
Segundo autoridades francesas, milhares de pessoas foram detidas desde o início das manifestações, muitas delas menores de idade. A Organização das Nações Unidas manifestou preocupação com os episódios de violência e pediu que todas as partes atuem de forma pacífica.
As mobilizações devem continuar nos próximos dias, enquanto estudantes pressionam o governo por mudanças mais amplas na educação pública francesa.